Ruínas de São Cucufate, em Vila de Frades, e Tiago Cabaço Winery, em Estremoz, estão
entre as sete novas maravilhas eleitas pelos portugueses
O Alentejo vê reconhecido o património vitivinícola nas Novas 7 Maravilhas de Portugal,
com dois dos sete vencedores da edição de 2026 localizados na região: o reconhecido berço do Vinho de Talha, as Ruínas de São Cucufate, em Vila de Frades, Vidigueira, eleitas na categoria História, e a Tiago Cabaço Winery, em Estremoz, vencedora na categoria Século XXI. A escolha, determinada pelo voto do público, coloca em destaque dois patrimónios que, separados por séculos, testemunham a ligação do Alentejo ao vinho.
Em Vila de Frades, as Ruínas de São Cucufate representam um dos testemunhos da presença romana no território e da longa história da produção de vinho no Alentejo. Inseridas na subregião de Vidigueira, uma das oito sub-regiões da Denominação de Origem Alentejo, as ruínas estão também ligadas à identidade vitivinícola de um território onde a tradição do vinho de talha permanece viva.
Do outro lado da história, a Tiago Cabaço Winery, em Estremoz, representa uma expressão
contemporânea desta relação entre vinho e território. Vencedora na categoria Século XXI,
a adega distingue-se pela arquitetura integrada na paisagem, parcialmente concebida em
forma de meia-lua, estabelecendo uma relação direta entre a vinha, o vinho e a identidade
do território alentejano.
Para a Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA), a eleição das duas candidaturas
constitui um reconhecimento particularmente relevante da dimensão cultural e patrimonial
da região vitivinícola do Alentejo, mostrando como o vinho está presente tanto na história
mais antiga do território, como na forma como a região se projeta no presente.
“O facto de duas das sete novas Maravilhas de Portugal estarem no Alentejo e terem uma
ligação tão evidente ao vinho é um reconhecimento muito significativo para a nossa região.
São duas realidades muito diferentes, mas que mostram a mesma relação profunda entre o
vinho, o território e a identidade alentejana: de um lado, um património que nos remete
para a história milenar da região; do outro, uma adega contemporânea que demonstra como essa relação continua a ser reinterpretada no presente”, afirma Luís Sequeira, presidente da CVRA.
A distinção ganha ainda maior relevância por surgir numa edição que recebeu mais de 600
candidaturas de todo o país e que procurou valorizar patrimónios de diferentes épocas e
naturezas. No conjunto dos sete vencedores, o Alentejo surge assim representado em duas
categorias distintas, através de patrimónios que têm no vinho um elemento estruturante da
identidade.
A eleição das Ruínas de São Cucufate e da Tiago Cabaço Winery reforça, deste modo, a
projeção nacional de uma região onde a vitivinicultura é parte integrante da história, da
paisagem e da economia do território. Para além do reconhecimento individual de cada
património, o resultado constitui uma nova oportunidade para afirmar o Alentejo enquanto
região vitivinícola de referência e para dar visibilidade à diversidade das expressões culturais e vínicas.
SOBRE A COMISSÃO VITIVINÍCOLA REGIONAL ALENTEJANA:
A Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA) foi criada em 1989 e é responsável pela proteção e defesa da DOC Alentejo e da Indicação Geográfica Alentejano, certificação e controlo da origem e qualidade, promoção e fomento da sustentabilidade. Assumindo
elevados padrões de rigor, transparência e imparcialidade, a CVRA é um organismo
certificador acreditado pela ISO/IEC 17065:2014, com os seus laboratórios de análises físicoquímicas e sensoriais acreditados pela ISO/IEC 17025:2018. Acresce ainda a certificação pela ISO 14001:2015, devido ao forte compromisso ao nível ambiental da CVRA.
O Alentejo é líder nacional em vinhos certificados, com cerca de 40% de valor total das vendas num universo de 14 regiões vitivinícolas em Portugal. Com uma área de vinha de 23,3 mil e hectares, 30% da sua produção tem como destino a exportação para cinco destinos principais, designadamente Brasil, Suíça, EUA, Reino Unido e Polónia.
Uma das duas únicas regiões do mundo que produz Vinho de Talha há mais de dois mil anos, o Alentejo é ainda detentor de uma iniciativa pioneira, o “Programa de Sustentabilidade dos Vinhos do Alentejo”, que tem como objetivo melhorar as práticas utilizadas nas vinhas e adegas, produzindo uvas e vinho de qualidade e economicamente viáveis.
Foto: Media Tailors

